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LEGIÃO URBANA COM SABOR DE PASSAPORTE DO GAÚCHO


Por mais óbvio e manjado que possa parecer, é impossível alguém falar ou lembrar do rock brazuca, sem se reportar aos áureos e já tão distantes anos 80.

Época de ouro do rock nacional, podemos citar sem medo de errar que havia várias bandas no cenário, mas dificilmente alguém discordaria que as três maiores eram: Titãs, Legião e Paralamas, não necessariamente considero as melhores. Porém há um disco do Legião que gosto muito e me marcou profundamente, assim como Cabeça Dinossauro dos Titãs, por exemplo – já escrevi um texto sobre o disco.

Trata-se do segundo álbum de estúdio – Legião Urbana “dois” – seguramente um dos meus preferidos da trupe de Renato Russo.

O disco foi lançado em 1986 e teve alguns hits – “Tempo Perdido”, “Índios”, “Quase sem Querer” e “Eduardo e Mônica” – inclusive este último inspirou até um filme com Alice Braga (achei fraco por não conseguir captar as ironias da letra de Renato Russo).

Voltando ao disco, acho-o bem interessante, sobretudo por marcar uma época incrível. As minhas preferidas eram além dos hits acima citados, “Daniel na Cova dos Leões”, “Andrea Doria” e “Fábrica”.

Quem já teve a oportunidade de me acompanhar nos escritos aqui do blog, deve ter percebido que não nutria grandes amores pelo rock nacional, com raríssimas exceções, como algumas bandas punks por exemplo.

No caso do Legião, que de punk não tinha absolutamente nada, salvo o projeto “Aborto Elétrico” em parceria com a galera do Capital Inicial; exerceram na minha pessoa uma espécie de fascinação pela simplicidade da música e principalmente pelas letras. Seguramente a influência do Legião eram as bandas do cenário do rock inglês do final dos anos 70 e início dos 80, sobretudo, “The Smiths”. Além do som, a própria postura de palco e danças de Renato Russo remetiam à Morrissey – Vocalista da banda inglesa.

Naquela época escutávamos sem parar esse disco, particularmente me amarrava nas letras do Renato Russo, que na minha opinião foi o grande poeta da música brasileira. Quem não cantarolou, provavelmente não habitava o país na época:


“...Todos os dias, antes de dormir

Lembro e esqueço como foi o dia

Sempre em frente

Não temos tempo a perder

Nosso suor sagrado

É bem mais belo que esse sangue amargo

E tão sério

E selvagem, Selvagem, Selvagem...”


Tempo Perdido, do trecho acima, por exemplo, me reporta toda vez que escuto a época em que começávamos a sair de casa para a “night” de Maceió – eu, meu irmão mais velho e amigos – onde invariavelmente o que rolava no “toca fitas” – gravado do disco com todo esmero e paciência – era essa canção que escutávamos a exaustão.




Geralmente quando retornávamos das noitadas em direção a nossa residência no Tabuleiro do Martins fazíamos um pit stop obrigatório, o Trailer do Passaporte do Gaúcho, localizado na Praça Centenário, para bater aquele rango na madruga. Levando em consideração a capacidade sensorial que as canções exercem nas pessoas, sempre que escuto a música chego a sentir o cheiro e o sabor do passaporte do gaúcho “carne com salsicha”. Pois é, rock nacional não foge a regra e com certeza teve seu ápice nos anos 80, mais do que ninguém.


GODOY RUSSO

 



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