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MEU ENCONTRO COM A DONZELA

Atualizado: 28 de set. de 2021


Estava eu nas minhas andanças em meados dos anos 80, a procura de algo interessante na banca de revistas do centro de Maceió, próximo ao antigo Cine São Luiz (minha preferida pela variedade), não antes de dar aquela velha passada na Lobrás e dar uma "conferida" nos confeitos, quando me chama atenção uma revista pôster de uma banda intitulada IRON MAIDEN, cujo nome atraía muita atenção devido à logomarca ser bastante marcante e peculiar. Trazia o vocalista, Bruce Dickison na capa e de plano adquiri o periódico.

Ao chegar em casa e começar a ler, fiquei atônito quase magnetizado pelas imagens da banda. Além do nome ser grafado de forma chamativa e atraente, ainda tinha um mascote, que passeava nos shows, tratava-se do Eddie, uma caveira gigante de aproximadamente 03 metros, ao menos era o que informava a revista. Sem contar a própria coreografia dos palcos, tudo de forma suntuosa. Lembro ainda que era da editora somtrês e que, salvo engano, o fotógrafo da revista era o Paulo Ricardo, sim o integrante da famosa banda dos anos 80, RPM.

Eles, seguramente, foram os reis do marketing da época, faziam um som excepcional e ainda se mostravam de forma bem agressiva e atraente aos fãs.

Bem, aquela altura, fiquei ansioso para adquirir algum disco e assim que consegui juntar o numerário suficiente à custa de muita economia, me dirigi à Eletrodisco, senão a melhor loja de discos de Maceió, uma das melhores e merece menção quanto à diversidade que tinha do universo rock’n’roll. Perfeita! Lembro que a referida loja possuía um setor só de rock, que fazia a alegria dos fãs do velho gênero, quase um parque de diversões do roqueiro, era comum nos deparar com os mal conceituados ‘metaleiros (graças ao Pedro Bial no Rock in Rio de 85) da Rua do Comércio’, que como autênticos headbangers, vestiam coturno, jaqueta, calças jeans, pulseiras, correntes, botons etc.

Comecei então ao trabalho de garimpagem, afinal os discos do Iron eram extremamente atrativos e quase que comprávamos pelas capas. Bem, na ocasião podia comprar um álbum apenas, não contei conversa e levei The number of the beast, afinal já havia uma polêmica acerca da faixa título e os caras da banda eram chamados de satanistas, o que lhes garantiam uma promoção a mais nas vendagens.

A capa já trazia um diabinho vermelho na frente, com direito a chifres e tridente, com um Eddie gigante ao fundo. Pronto, por si só, já gerava uma “secura” de ouvir aquele disco de ares diabólicos. É bom registrar que tudo não passava de artifícios para atrair vendagens, e o pior é que funcionava que era uma beleza.

Talvez tenham sido os 30 minutos mais demorados de todos os tempos, período que durou do trajeto da loja até chegar em casa.

Iniciei a escuta pelo The number, de cara uma paulada - Invaders, já deu para perceber se tratar de uma banda pesada, onde se destacava a cozinha perfeita entre baixo e batera, mas de pronto entrava aquele vocal de inegável elegância e peso do Bruce Dickison, mas ainda tinha uns solos majestosos e rápidos de Dave Murray e Adrian Smith, este último com uma pegada mais melódica e harmônica, mas não menos pesada.

Seguia o álbum no mesmo patamar, Children of the damned, The Prisoner, 22 Acacia Avenue, fechando o lado “A” (os mais novos não vão entender...).

Bem... o lado “B”, abria com a polêmica faixa título e toda mística fazia sentido, a música iniciava com a narração de um locutor de timbre grave pronunciando trechos do apocalipse. Bom, imagine o impacto gerado na minha pessoa ao ouvir tudo aquilo que precedia (confesso que me deu medo...) o início propriamente da canção.

E não deu outra, um riff alucinante logo de cara e um vocal hipnótico atingindo tons acima do normal. Realmente uma música que atendia a expectativa dos mais exigentes fãs de heavy do planeta. Simplesmente perfeita, desde a introdução, passando pelo andamento e culminando com o refrão que dificilmente sai da cabeça de qualquer headbanger de vergonha.

Apesar do disco ser quase perfeito, só não curti muito Gangland, confesso que a música The number me conquistou e tornou-me um fã incondicional do Iron. E o álbum ainda continha Run to the Hills e Halowed be thy name, duas músicas fantásticas. Quase metade do disco é tocada até hoje nos shows da besta.

O pôster ornava a parede do quarto que dividia com meus dois outros irmãos, com muito orgulho e honra. Foi um dos primeiros que coloquei, não tenho certeza de quantos tinham depois de tantos anos escutando o bom e velho rock’n’roll, mas seguramente eram mais de 30. Minha saudosa mãe dizia: - Tira esses malucos do quarto!! Estava concretizada a magia do rock’n’roll.

Ainda hoje sou um fervoroso fã do Iron, mas confesso que o período clássico e magistral da banda ter sido de 80 (lançamento do Iron Maiden, primeiro disco), até 88, quando lançaram Seventh son of seventh son. Não sei se é coincidência terem sido todos eles realizados nos anos 80. Por que será?? Como roqueiro mofado que sou, não podia deixar de reverenciar esse período nostálgico de inegável qualidade.

A partir daquele dia e até hoje me mantenho fiel à donzela de ferro. Up the Irons!!!


GODOY MAIDEN




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12 Comments

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Alexandre godoy costa
Alexandre godoy costa
Sep 28, 2021

E aquele show em Recife, se não me engano no estacionamento do Centro de Convenções, foi inesquecível!

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godoyadvocacia7
godoyadvocacia7
Sep 28, 2021
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Pode crer! Foi o da turnê do Final Frontier. Inesquecível, mesmo!

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Antonioni
Antonioni
Sep 28, 2021

IRON MAIDEN é unanimidade.

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Sérgio Henrique Nobre
Sérgio Henrique Nobre
Oct 01, 2021
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Acho que sou, vc é todos meus amigos roqueiros gostam

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