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S.AC e S.DC

Atualizado: 9 de jul. de 2022

Até hoje me considero uma pessoa mais introvertida do que extrovertida. Talvez nem todos ao meu redor concordem. Felizmente vivi e vivo experiências determinantes na desconstrução e (re)construção de quem eu sou. O rock, principalmente o punk e o hardcore, estão presentes na minha vida desde a adolescência. Não duvido que seria um ser totalmente diferente de quem sou caso o punk, principalmente seus ideias e mensagens, não tivesse me arrebatado. Por isso que me soa muito estranho quando ouço as palavras roqueiro/punk/headbanger acompanhadas do termo “de direita”. Para mim o rock e as suas mais diversas vertentes sempre foram fontes de contestação, de inquietude, de quebra de paradigmas e de revolução. Não estou nem de longe do lado “direito” das coisas. Outra coisa importante que o punk me apresentou foi o anarquismo. Lá pelos idos de 1986/87 tive o meu primeiro contato com a cena rock brasileira: Titãs, Legião Urbana, Plebe Rude, Ira! e tantas outras bandas que fizeram parte de uma década musicalmente rica e foram uma presença constante na minha vida, principalmente os Titãs e a Legião Urbana. Já flertava um pouco com o “metal”, conhecia Iron Maiden, Accept, Venom e algumas outras bandas destas vertentes. Felizmente sempre tive próximo a mim as boas más influencias, amigos e colegas que fizeram o favor de me desvirtuar. Naquela época a maioria dos pais não gostavam de ver seus filhos enveredando pelo mundo do rock, usando calças rasgadas, escutando um som “barulhento” com cortes de cabelos extravagantes e que são muitos comuns hoje em dia - vide os jogadores de futebol e “digital influencers”. Sou muito feliz por ter vivido estes conflitos. Não foi fácil e sofri muito porque meu pai não compreendia a importância e a influência positiva do punk na formação do meu caráter. Lembro de ir as festas e assaltos, principalmente no Chalé Festas, e ficar esperando a hora do rock para extravasar toda a energia e fúria adolescente que habitava em mim. Este ciclo sofreu um grande impacto no dia que fui convidado para um assalto na casa de um amigo, o Daniel Priquitinha. Os assaltos eram festas organizadas na casa dos amigos, quem era convidado levava sua bebida, o dono da casa cedia o espaço e cuidava da discotecagem. Quando começou o momento do rock lá fui para o meio da pista - a sala da casa. Nesta época o Cabeça Dinossauro dos Titãs costumava ser tocado por completo e, se não me engano, logo após sua execução ouvi os primeiros acordes de um disco e banda que mudou a minha vida: Cólera - Tente Mudar o Amanhã. Ao desenterrar a memória ainda sinto o mesmo impacto, parece que estava acordando de um sono profundo sendo chacoalhado e recebendo um choque potente. Despertando daqueles sonhos/pesadelos nos quais a gente está caindo de uma altura imensa e acorda antes de se esborrachar por completo. O melhor de tudo é que meus ouvidos já estavam educados, então também prestei muita atenção nas letras e logo de cara me identifiquei com tudo aquilo: os questionamentos, a indignação, a necessidade de colocar para fora a insatisfação e o descontentamento com um sistema desumano. A distopia apresentada em 1992, que talvez não seja tão surreal para os dias atuais e o futuro que nos aguarda, a mensagem de urgência em Amanhã. Todas as letras e músicas deste disco são fortes. Até a qualidade da gravação, que pode ser considerada precária para os dias atuais, caiu como uma luva. Este foi um momento de ruptura e crucial da minha existência: havia um Sandney antes do Cólera (s.a.C.) e surgiu um Sandney depois do Cólera (s.d.C.). Naquele mesmo dia, após o assalto, peguei o disco emprestado e iniciei um caminho sem volta. Obrigado Redson e Cólera! Obrigado Daniel Priquitinha, galera do Trapiche e a todos os amigos e colegas que me levaram para o “mau caminho”.


Sandney Farias::



 





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